Não poderemos ser tratados como homicidas, mas continuaremos vítimas de homicídios Destaque

Não temos mais tempo a perder, queremos apenas ver a mudança acontecer. Toda nova proposta é bem vinda, mas não podemos esquecer do que a gente realmente precisa. Em um ano de esperanças, deixar de considerar a nossa justa defesa um homicídio já é um sinal de que estamos na mira das novas medidas. Mas ainda é pouco, ainda é falho, segue sucateado.

No final da tarde desta quarta-feira, uma declaração do novo Ministro da Justiça, Sérgio Moro, mostrou sensatez em relação a um polêmico assunto envolvendo uma série de propostas que serão encaminhadas para o congresso para combater a criminalidade.

Após apresentar um pacote anticrime a parlamentares, o juiz da Lava Jato afirmou que “policiais não podem ser tratados como homicida”. Uma dessas propostas do ministro livra de pena o agente policial ou de segurança pública que matar alguém quando estiver em serviço em situação de “conflito armado ou em risco iminente de conflito armado” ou para prevenir “injusta e iminente agressão a direito seu ou de outrem”.

A medida responde a questionamentos feitos, por exemplo, ao caso da PM que matou um assaltante em frente a uma escola, em Suzano, no primeiro semestre do ano passado. Muitos se posicionaram contrários a ação da cabo Kátia Sastre, apesar de estar clara a legítima defesa.

“Acho muito pertinente a colocação do ministro, já que a morte do bandido é, muitas vezes, inevitável. Como ele mesmo disse, não teremos ‘licença para matar’, mas é preciso entender que incidentes acontecem e o momento de conflito é sempre tomado de muita emoção”, disse o presidente do Sinpolsan, Marcio Pino.

Apesar de satisfeito com esse item e as demais propostas apresentadas no projeto de Sérgio Moro, ele acredita que esse tipo de medida sozinha não é suficiente para que haja uma mudança drástica no atual cenário da segurança no País. “É preciso investir nas polícias para que com esse pacote seja possível investigar, melhorar os índices de esclarecimentos e assim colocar os infratores da lei nas prisões”, destacou Pino.

A verdade é que a segurança no Brasil precisa ser tratada com seriedade. Não basta colocar policiais nas ruas e manter delegacias abertas, em alguns casos, por até 24 horas, mesmo que sem efetivo ou infraestrutura. Segurança pública não é apenas uma obrigação constitucional, mas sim um dos pilares que sustenta uma sociedade, por isso a necessidade de responsabilidade.

Do mesmo jeito que educação se faz com livros e professores capacitados, a segurança se faz com policiais bem armados, treinados e, sobretudo, valorizados. "Faz tempo que batemos nessa tecla”, finalizou o líder dos policiais civis na Baixada Santista.

 

https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/02/06/ninguem-deseja-morte-de-criminoso-mas-policial-nao-pode-ser-tratado-como-homicida-diz-moro.ghtml