A nossa parte em dinheiro, condições de trabalho e justiça, por favor... Destaque

Quando os policiais civis lutam por valorização, eles não estão pedindo elogios, mas sim a possibilidade de exercer a sua função com qualidade e dignidade. Quando a categoria reclama de descaso, não está buscando atenção, mas sim o atendimento de suas reivindicações. Quando o profissional de segurança reclama da falta de estrutura, ele não quer conforto, mas sim instrumentos para cumprir o seu juramento enquanto bandidos aumentam o seu armamento.

Com certeza todo trabalhador já ouviu de um colega a frase “a minha parte em dinheiro”. Muitos podem interpretar como ganância, mas a verdade é que para sustentar a família é preciso mais do que reconhecimento moral, é necessário dar algo em troca, sobretudo, para aqueles que dão a sua própria vida.

A Resolução aprovada na última segunda-feira instituindo o Programa de Valorização Profissional “Policial Nota 10” tem o seu objetivo e o seu poder, porém sozinha perde o seu devido respeito. São anos de salários congelados, sucateamento, condições de trabalho desumanas, jornada excessivas, promessas não cumpridas. Enquanto o novo projeto visa “homenagear os policiais indicados como destaque no mês anterior em face dos serviços prestados à sociedade”, a categoria segue tentando ser ouvida e buscando entender o porquê de tantos atrasos no pagamento do bônus.

“Apesar de o abono não atender as necessidades da categoria diante das dificuldades financeiras que os policiais enfrentam, eles são obrigados a contar com essa bonificação para minimizar as suas necessidades e suprir o frequente buraco no orçamento. Infelizmente, elogio não paga conta. Primeiro, queremos uma solução para tantos anos de injustiças para, depois, termos motivos para agradecer quando alguma menção formos receber”, afirmou o presidente do Sinpolsan, Marcio Pino, lembrando que enquanto o governo não entender que um auxílio alimentação de R$ 120 mensais não paga nem mesmo uma coxinha com café em promoção, não há policial que vá se vangloriar por se destacar.

Valorização implica na motivação e, consequentemente, gera bons resultados. Policiais reconhecidos e valorizados é sinônimo de mais bandidos presos, sociedade segura e estatísticas no chão. Se é para tirar o governador do estado e o secretário de segurança dos seus gabinetes, que seja para visitar delegacias e tomar medidas definitivas. Que as cerimônias sejam para anunciar novas contratações e não para tentar substituir falta de ações. Chega de se sacrificar sem nada ganhar. “Se com as atuais condições, os agentes são capazes de fazer milagre, imagina o que poderiam fazer se fossem mais valorizados”, finalizou Pino.