Falta efetivo, mas não falta vontade de mudar Destaque

Lutar sempre, vencer se possível, desistir jamais. O autor dessa frase é desconhecido, no entanto o significado está totalmente inserido na realidade daqueles que quando pensam em desistir, param e lembram dos motivos que os levaram a aguentar até agora. É o caso dos policiais civis, que seguem firmes, apesar do descaso. E uma nova conquista vem mostrar a força dessa categoria. O Ministério Público da Comarca de Jacupiranga instaurou, a pedido do Sinpolsan, um inquérito civil para apurar irregularidades geradas pela falta de efetivo e de estrutura que ao longo do tempo vem impedindo um serviço policial de qualidade.

Conforme conta no documento protocolado junto ao MP, o objetivo é investigar “irregularidade ou ilicitude ou deficiência ou má prestação de serviço público de segurança pública, por insuficiência de policias civis e militares em atividade, e também da estrutura material, na Comarca de Jacupiranga, nos municípios de Jacupiranga, Cajati e Barra do Turvo, para adequadas e necessárias medidas de prevenção, repressão e investigação de crimes, ou outras falhas, deficiências ou ineficiências dos serviços de segurança pública por medidas insuficientes para a redução de risco, necessária para preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio (art. 144, caput, CF), de forma eficiente”.

A vitória, nada mais é do que o resultado do esforço do Sindicato que, há anos, busca garantir a valorização dos policiais civis, de forma que possam ter poder de compra e as condições necessárias para cumprir a sua missão. Em visitas constantes a delegacias das cidades da Baixada Santista e Vale do Ribeira, a diretoria do Sinpolsan busca contribuir para a efetivação do direito constitucional à segurança pública, mesmo que isso custe o desagrado aos governantes de plantão.

“Cansamos de levar porta na cara, de receber ‘nãos’ ou ouvir promessas que nunca foram cumpridas. Já sabemos que não há muito o que esperar, por isso preferimos agir. Ninguém melhor do que nós mesmos para saber as melhorias necessárias e as medidas a serem tomadas. Vamos tomar à frente e mostrar que contra fatos não há argumentos. Temos a faca e o queijo na mão”, disse o presidente do Sinpolsan, Marcio Pino, que enxerga a segurança como um irrenunciável dever do estado e direito da população, como prescreve a Constituição.

Após a instauração do inquérito, o Promotor de Justiça, Valter Foleto Santin, já determinou a expedição de ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado, assim como à cúpula das polícias Civil e Militar, no sentido de que sejam prestados esclarecimentos sobre o cenário atual de falência dos sistemas de segurança e das medidas administrativas objetivas que (não) tem sido tomadas para debelá-lo. “Já passou da hora de termos as respostas ou justificativas, se é que elas realmente existem”, finalizou Pino.