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Não basta priorizar a segurança, é preciso valorizar os policiais

Não basta priorizar a segurança, é preciso valorizar os policiais Destaque

Não basta priorizar a segurança, é preciso valorizar os policiais

Nas eleições de outubro, os novos representantes prometeram ser implacáveis com as facções e o crime organizado, tanto no âmbito Estadual como Federal, afirmando que seriam adotadas medidas radicais contra a criminalidade.

Aparentemente, um cenário perfeito para reduzir índices e obter resultados positivos e efetivos em relação a segurança pública. No entanto, ingressamos esse novo período com uma velha pergunta e o mesmo anseio, quais os investimentos previstos para capacitação e valorização daqueles que estarão à frente das principais ações propostas pelos governantes? Será que os policiais civis estão preparados para enfrentar o ataque dos bandidos descontentes com o posicionamento dos administradores que assumiram o poder?

Os recentes acontecimentos verificados no Ceará já mostram que se o objetivo é seguir o lema do secretário de segurança, João Camilo Pires de Campos, de que “o policial precisa se defender porque ele nos defende”, está na hora de repensar os armamentos, salários, infraestrutura e contingente. No Estado Cearense, uma declaração do secretário de Administração Penitenciária (SAP), Mauro Albuquerque, está gerando uma série de ataques a bancos, meios de transporte e órgãos públicos deixando a população em pânico.

Já foram contabilizados mais de 127 ataques após a afirmação de que haveria maior rigor na fiscalização dos presídios. Nada muito diferente do que foi dito pelos outros representantes eleitos nos demais Estados, entre eles o novo governador de São Paulo.

Concordamos com o pronunciamento do Governador João Doria que garantiu “As polícias de São Paulo, assim com a Federal e o governo, terão o combate de nível máximo de todas as operações criminosas no estado. Com uso de inteligência, de investigação, e o aprisionamento de todos os integrantes de facções criminosas”.

A verdade é que, independentemente das opiniões, é preciso incluir urgentemente os agentes policiais na lista de prioridades para que, mais uma vez, não sejam todos vítimas.

“A promessa de endurecer em relação aos criminosos precisa vir aliada a certeza de que são os policiais a linha de frente, então eles precisam de aparato, de apoio, de estrutura para que possam realizar o seu trabalho com qualidade sem ficar receosos se voltarão para casa no final do expediente. Não há mais tempo para repetir os mesmos erros do passado, quando candidatos aprovados em concurso ficaram no aguardo de quase quatro anos para serem chamados, enquanto isso cidades ficaram e ainda ficam sem um efetivo capaz de realizar as atividades de Policia Judiciária. A consequência é a demora do atendimento e a impossibilidade de investigar crimes seja por falta de funcionário ou por falta de um sistema descente que permita que os policiais atendam com eficiência e rapidez ao público, dando a impressão que o culpado pela demora são os policiais”, afirmou o presidente do Sinpolsan, Marcio Pino, que inicia 2019 pronto para continuar lutando por melhorias para os policiais, que resultarão em melhores serviços e mais segurança para a sociedade.

Diante da preocupação do novo governo em priorizar a segurança, esperamos mais diálogo, pois é preciso ouvir aqueles que diariamente sofrem com a falta, de tudo. “Com a mudança do cenário e a ênfase da segurança, acreditamos que teremos uma nova oportunidade de valorização e reconhecimento. Torcemos por dias melhores, chega de mais do mesmo e para isso precisamos cobrar as promessas de campanha dos novos eleitos”, disse Pino.